Princípios
gerais da Teoria do Desenvolvimento de Piaget
Piaget acreditava que a função da inteligência
é auxiliar a adaptação ao ambiente. Em sua concepção, os meios de adaptação
formam um continuum que varia de meios relativamente inteligentes, tais como
hábitos e reflexos, a meios relativamente inteligentes, tais como os que exigem insight,
representação mental complexa e a manipulação mental de símbolos. De acordo com
seu foco na adaptação, acreditava que o desenvolvimento cognitivo
acompanhava-se de respostas cada vez mais complexas ao ambiente. A seguir,
Piaget propôs que, com a crescente aprendizagem e maturação, tanto a
inteligência quanto suas manifestações tornam-se diferenciadas – mais altamente especializadas em
vários domínios.
Embora Piaget usasse a técnica de pesquisa da
observação, grande parte de sua pesquisa era também uma exploração lógica e
filosófica de como o conhecimento se desenvolve, desde formas primitivas até
sofisticadas, acreditava que o desenvolvimento ocorre em estágios que evoluem
pela equilibração,
na qual as crianças procuram um balanço (equilíbrio) entre o que encontram em
seus ambientes e as estruturas e os processos cognitivos que levam a esse
encontro, bem como entre as próprias capacidades cognitivas. A equilibração
envolve três processos. Em algumas situações, o modo de pensamento e os esquemas (estruturas mentais) existentes na
criança são adequados para enfrentar e adaptar-se aos desafios do ambiente; ela
está, assim, em um estado de equilíbrio. Por exemplo, suponhamos que Arthur, de
2 anos de idade, usa a palavra au-au para
abarcar todos os animais peludos quadrúpedes que se assemelham ao seu próprio
cachorro; enquanto todos os animais quadrúpedes que ele vê forem como os
cachorros que já viu, Arthur permanece em um estado de equilíbrio.
Em outras ocasiões, entretanto, a criança é
presenteada com informação que não se adapta aos seus esquemas existentes, de
modo que surge o desequilíbrio quando os esquemas existentes na criança são
inadequados para os novos desafios que a mesma enfrenta. Ela, consequentemente,
tenta restaurar o equilíbrio pela assimilação – incorporação da nova informação aos
esquemas existentes na criança. Por exemplo, suponhamos que o cachorro de
Arthur é um grande labrador e que Arthur vai ao parque e vê um poodle, um
cocker spainel e um cão-esquimó. Ele tem de assimilar a nova informação em seus
esquemas existentes para au-aus – nenhuma grande coisa.
Suponhamos,
entretanto, que Arthur também visita um pequeno zoológico e vê um lobo, um
urso, um leão, uma zebra e um camelo. Ao ver cada novo animal, ele parece
perplexo e pergunta à sua mãe: “Au-au?” A cada vez, sua mãe diz: !Não, este
animal não é um cachorro. Este animal é um ______[nomeia o animal]”. Ele não
pode assimilar esse animais diferentes em seu esquema existente para au-aus;
em vez disso, ele tem de modificar, de algum modo, seus esquemas a fim de
considerar a nova informação, criando, talvez um esquema abrangente para
animais, ao qual ele adapta seu esquema existente para cachorros. Piaget
sugeria que Arthur modificasse os seus esquemas existentes pela acomodação – mudança dos esquemas existentes para
adaptá-los à nova informação relevante sobre o ambiente. Em conjunto, os
processos de assimilação e de acomodação resultam num nível mais sofisticado de
pensamento do que era possível previamente. Além disso, esses processos
resultam no restabelecimento do equilíbrio, oferecendo, desse modo, à pessoa –
tal como Arthur – níveis superiores de adaptabilidade.
Hélio Teixeira
Hélio Teixeira. Sou cristão, brasileiro,
nascido em Palmeira dos Índios-AL; estudioso dos mistérios da criatividade
e da colaboração humanas e apaixonado por computação neural e inteligência
artificial.
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