domingo, 25 de setembro de 2016

Tenho Medo de Escrever

           Lendo uma matéria no  "blogs/português-de-brasileiro",  identifiquei muito com nosso segundo encontro, onde  falávamos  do medo de escrever , o medo das regras, de escrever errado, de não agradar ao nosso leitor, o medo de não transmitirmos de forma clara e objetiva aquilo que pensamos.

POR QUE TEMOS TANTO MEDO DE ESCREVER?

Dúvidas e mais dúvidas. Essa é a infeliz realidade linguística da maioria dos brasileiros falantes de Língua Portuguesa. São regras, exceções e determinações complicadas que, muitas vezes, acabam mal entendidas. O falante, então, fica perdido e com medo de escrever. Isso mesmo. Medo de escrever!
Diariamente, recebo centenas de mensagens com relatos de brasileiros que se dizem incapazes de escrever um bom texto em Português. E isso é um verdadeiro absurdo. Como uma pessoa pode ter medo de se comunicar em sua própria Língua? Alguma coisa não está certa. Será que é a forma de ensinar? Será que é a Língua que tem muitos problemas? Será que os brasileiros são preguiçosos?
Sinceramente, acredito em aprendizagem com entendimento e não com as famosas "decorebas". Quando um aluno vê sentido na explicação, tudo se torna mais coerente e real. E se a Língua é prática social de comunicação, então vamos praticá-la! Veja um exemplo bem simples.
Em sala de aula, um professor pergunta a seus alunos:
Qual o plural de mão?
O famoso aluno Joãozinho responde:
Mãos!
E qual o plural de pão?
Ele não tem dúvidas e responde:
Pãos!
Aí vem o professor e diz:
Não! Está errado! O plural de pão é pães!
Joãozinho, rapidamente, questiona:
Mas professor, se mão e pão são escritas do mesmo jeito, por que o plural é diferente?
O professor afirma:
É a regra. É assim. Precisamos aprender dessa forma. Você precisa saber os plurais corretamente, e este plural é assim mesmo. Plural de mão é mãos. E de pão é pães.
Daí pra frente, no caminho de estudos do Joãozinho, centenas de outros exemplos acabam com a resposta: é assim e pronto!
Veja: o plural de mão é mãos, pois essa palavra é originada da forma Latina "manus". Não é por acaso que quando você fala que algo foi escrito com as mãos, você diz "manuscrito". Aí, o "N" de "manus", que está entre duas vogais, cai, mas conserva o som nasal que, em Língua Portuguesa, torna-se o famoso acento til ( ~ ). Por isso, fica MÃOS. Repare, ainda, que o formato do til (~) é bastante similares à letra "N".
E pães, como fica? A palavra também tem origem Latina. Porém, da forma "panis". Por isso, uma padaria recebe o nome de "panificadora". Igual ao exemplo anterior, o "N" de "panis", que está entre duas vogais, sai e conserva, em Língua Portuguesa, o som nasal marcado pelo acento til ( ~ ). Por isso, fica PÃES.
Alguns podem dizer: como explicar isso pra um adolescente? Não é uma explicação muito complicada? Eu respondo com bastante tranquilidade: não! Atualmente, eles entendem conceitos muito mais complexos. Qual seria o problema de explicar pra ele que a Língua Portuguesa tem uma mãe, que gerou a maioria das palavras que ele conhece?
Faço aqui um convite. Vamos parar de decorar as regras e buscar o entendimento? Com certeza, encontraremos algumas exceções. Mas em número muito menor do que aprendemos desde criança. O Português é lindo, rico e poético, mas, acima de tudo, é do povo brasileiro!
 /blogs/portugues-de-brasileiro/por-que-temos-tanto-medo-de-escrever-20140411/


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